O Brasil cresce e as empresas também expandem
seus negócios, muitas passam a operar no exterior ou aumentam
sua atividade internamente. Com isso, a estrutura pode ser revista através
de um novo desenho organizacional. Isso, além das mudanças
no mundo global que exigem revisão do negócio, com nova
estratégia. É o que vemos atualmente com a crise.
Para
Aldemir Drummond, professor de estratégia e coordenador do Núcleo
de Gestão Empresarial da Fundação Dom Cabral, a
mudança envolve diversas variáveis. “Uma nova estratégia
pode implicar em mudanças nos processos de trabalho, nas competências
requeridas, nos sistemas de incentivo e sanções, nos sistemas
de informação e nos processos de comunicação.”
Washington
Sorio, consultor de RH, diz que o fator determinante para uma empresa
mudar o organograma é a perpetuação, visando maior
rentabilidade. “O objetivo principal é ‘cortar gordura’,
deixar a empresa mais leve e melhorar o desempenho”.
A
reestruturação envolve pessoas, com demissões,
novas contratações e novos cargos. “As pessoas estão
no centro do processo, o que requer muita atenção. O tratamento
tem que ser digno, com respeito e transparência”, ressalta
Sorio. Toda mudança sofre resistência. “Não
é que as pessoas não gostem, elas não querem é
que mudem aquilo que estavam acostumadas a fazer”. Para Sorio,
a comunicação ajuda no processo, mas o fator determinante
é o exemplo que vem de cima.
Malena
Martelli, presidente do Comitê de Gestão de Pessoas da
Câmara Americana de São Paulo (AMCHAM), coloca que do ponto
de vista do RH é importante compreender o impacto que a mudança
organizacional causa nas pessoas. “Temos que antecipar as reações,
mapear as habilidades existem ou não na organização
e traçar plano de desenvolvimento e comunicação
com base nesse diagnóstico”.
Drummond
defende que o profissional de RH entenda o negócio da empresa.
“Boa parte dos gestores têm competências nos processos
de RH, mas certa dificuldade para entender o negócio. Se o profissional
de RH deseja ter influência, é fundamental que ele enxergue
a gestão de pessoas na perspectiva do negócio, isto é,
como as pessoas podem contribuir”.
Washington
Sorio diz que a participação do executivo de RH no processo
de reestruturação é primordial, sendo o “braço
direito” do principal executivo, podendo exercer o papel de arquiteto
da estratégia. O organograma pode ser revisto para ampliar ou
enxugar funções e níveis hierárquicos, como
consta nos exemplos:
Gate
Gourmet
Em 1995, a empresa Gate Gourmet adquiriu o catering da Varig. Na época,
a multinacional Suíça era a segunda maior no ramo de catering.
Na nova fase foi preciso reavaliar a estrutura e a cultura organizacional
da empresa. A Varig demitiu 750 funcionários e, no dia seguinte,
a Gate Gourmet contratou 750 funcionários com os mesmos cargos.
Mas, para alguns o salário diminuiu, além dos benefícios
– a Fundação Rubem Berta oferecia um pacote maior
de benefícios.
Águas
do Amazonas
O grupo francês SUEZ adquiriu, em 2000, a empresa Manaus Saneamento
S.A., que foi privatizada. Na época, os funcionários e
o sindicato eram contra a venda. Foi preciso modificar uma empresa com
hábitos de estatal para uma empresa privada, com resultados e
lucros. Primeiro foi realizada pesquisa de clima e de know-how. Depois,
o Programa de Demissão Voluntária conseguiu 479 adesões.
Um novo acordo coletivo de trabalho alterou itens primordiais para o
sucesso do negócio. Passada essa etapa, treinamentos foram criados
para desenvolver os funcionários, além de programas de
motivação.
Grupo
Ponte
Em 2006, o Grupo Ponte, empresa com estrutura familiar, viu que era
o momento de se profissionalizar. O primeiro passo foi modificar o organograma
com diminuição dos níveis hierárquicos de
sete para quatro. A reestruturação estava baseada em três
níveis: pessoas, processos e tecnologia. Com isso foi redefinida
a missão e os valores. Outro aspecto foi simplificar e acelerar
as decisões. O resultado foi uma empresa mais enxuta e dinâmica.
Efeito China
A pressão ambiental também é um fator que pede
mudanças. É o caso de uma empresa do setor têxtil
de médio porte, com cerca de 1 000 funcionários e faturamento
na casa dos R$ 65 milhões. As tarifas de importação
do setor caíram nos últimos 15 anos, com aumento na importação
de tecidos de custo mais baixo.
A
empresa, que produzia tecidos simples e de baixo custo, optou por oferecer
tecidos sofisticados, com maior valor agregado, além de iniciar
uma linha de malharia. Há cinco anos o processo é conduzido
de maneira gradativa, e ainda está em curso.
Para
evitar “ruídos” o novo posicionamento foi comunicado.
Houve capacitação em novos processos e tecnologias, além
da contratação de funcionários. Ainda que boa parte
do que foi planejado tenha sido executado, mudanças nas ações
dos competidores e na legislação que afeta o setor significaram
uma necessidade de reavaliação da estratégia.
Por
Toni Mello
Fonte:
Revista VoceRH
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