Uma
organização é uma construção humana
arbitrária com base lógica e racional pela intenção
explícita de se alcançar um objetivo. Essa construção
se supõe capaz de agir de forma integrada e se torna efetiva
pela ação de seus membros. Isto é o que denominamos
de "Identidade Corporativa".
No
entanto, ao assumirem suas funções, as pessoas integram
suas personalidades, valores e concepções de mundo à
realidade organizacional, influenciando ações e reprogramando
a lógica da construção. Este é o caminho
natural para a perda da "Identidade Corporativa". Como realidade
reconstruída, a organização torna-se apenas uma
referência para direcionar comportamentos individuais, naturalmente
discrepantes e desarticulados.
A
decisão de mudar significa acentuar deliberadamente a desarticulação
natural da organização: terá igualmente uma base
lógica e intencional e uma ilógica e emergente. Como outras
decisões: visa a objetivos, identifica alternativas, analisa
informações e enfrenta as mesmas dúvidas, problemas
e obstáculos. No entanto, mais do que em outras decisões,
a intenção de inovar aguça as contradições
naturais já existentes no meio organizacional. Ao contrapor as
forças da estabilidade e as da mudança, rompe valores
e interesses, gerando apoios e resistências mais nítidos,
além de fazer aflorar emoções e imaginações
menos conhecidas.
Iniciar
um processo de mudança significa envolver-se com a mesma diversidade
de fatores técnicos e comportamentais apenas manifestados de
forma mais oponente e ambígua. Na verdade, toda organização
possui contradições ao conviver com: disciplina coletiva
ao buscar a autonomia individual; diversidade ao pretender a unidade;
e com a complexidade e a desordem ao tentar a simplicidade e a ordem.
Arnaldo Piegel, Diretor da A. PIEGEL Soluções Corporativas,
Junho de 2007
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