Sentimos
cada vez mais perto de nós que a gestão dos serviços
notariais e registrais e aquelas vinculadas ao foro judicial, precisam
se adequar às leis de mercado. Observamos hoje, que o mercado
quer uma resposta diferente dessas Instituições. Quer
que elas se assemelhem, conceitualmente, às empresas que concorrem
com seus produtos.
Ao
analisarmos um pouco da história vamos verificar que de 1.946
a 1.987, toda legislação existente sobre as serventias
dava ênfase a assuntos técnicos, ou seja, definia procedimentos
a serem adotados para a execução dos serviços prestados
e às questões legais a serem observadas. Passarram-se
41 anos.
Com
a constituição de 1.988, artigo 236 regulamentado pela
lei 8.935 em 18/11/1.994 acenou-se com as primeiras ações
voltadas à gestão onde menciona que "Os serviços
notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e
adequado". Mas, somente em 2.005 através da instituição
do Programa de Qualidade é que efetivamente houve a preocupação
com os aspectos da gestão do negócio, qualidade do serviço
prestado, atendimento aos clientes, entre outros. O avanço nesse
período de 59 anos foi muito pequeno em se tratando de administrar
"um negócio".
Indubitavelmente,
nos dias de hoje, temos que considerar que os conceitos mudaram e o
serviço prestado por uma serventia é igual a outro serviço
existente no mercado. As características e o tipo de responsabilidade
são diferenciados. Daí cabe uma pergunta.
AS
SERVENTIAS PODEM SER CONSIDERADAS UMA EMPRESA? E O TITULAR PODE SER
CONSIDERADO UM EMPREENDEDOR?
Para
essas perguntas duas respostas. Um será SIM e a outra será
NÃO. A abordagem que fazemos na seqüência será
apoiada na resposta "SIM".
Iniciaremos
pelo conceito para definir uma empresa que é "um conjunto
organizado de meios com vista a exercer uma atividade particular que
produz e oferece bens e/ou serviços, com o objetivo de atender
a alguma necessidade humana".
Em
seguida vamos conceituar o que é "Gestão" que
é "criar e manter uma organização totalmente
voltada para resultados". A gestão adequada de uma
empresa se faz utilizando-se técnicas de gestão, avaliação
contínua de resultados e de ferramentas de gestão.
A
terceira variável é entendermos o que é um "Empreendedor".
O empreendedor é alguém que tem um sonho, ou seja, a vontade
de realizar algo; é também alguém que possui ousadia,
ou seja, gosta de assumir riscos e/ou sacrifícios; é também
alguém preocupado com inovação, ou seja, busca
por melhorias constantes e; finalmente alguém que tem persistência,
ou seja, tenacidade.
Por
último vamos considerar que uma serventia deve avaliar constantemente
novas oportunidades de mercado não esquecendo a adequação
econômico financeira para a prestação de serviços
observando os custos para a prestação do serviço
versus o lucro. Deve ainda avaliar a necessidade de recursos financeiros,
materiais e humanos.
Se
essas quatro questões podem ser aderentes ao conceito de uma
serventia, podemos concluir que esta é uma empresa. Portanto,
a estratégia a ser adotada, independentemente de obter o maior
lucro, resume-se em: (a) buscar a redução de seus custos
e (b) aumentar o valor percebido pelos seus clientes, no serviço
prestado.
Em
outras palavras, isto quer dizer que as Serventias precisam adotar uma
gestão estratégica que enfatize uma constante avaliação
das mudanças que estão acontecendo no segmento, uma reflexão
contínua sobre as tendências que estas transformações
apresentam e seu impacto potencial no negócio, acompanhadas de
alterações na forma de condução do negócio,
ou seja, em sua estratégia competitiva.
Arnaldo
Piegel, Diretor da A. PIEGEL Soluções Corporativas, Janeiro/09
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