Sites
especializados e redes sociais oferecem milhares de vagas. Saiba como
usar a rede a seu favor.
A vitrine de uma loja é o principal artifício para chamar
atenção dos clientes para os produtos. Todo mundo olha
o que a loja oferece e até quem não pensava em comprar
pode mudar de ideia se o produto for de qualidade. Com a internet não
é diferente. Principalmente para quem deseja encontrar uma oportunidade
de emprego. Com a proliferação de sites especializados
em carreira e redes sociais, é possível fazer da web uma
vitrine. E acredite: os recrutadores estão de olho.
Segundo as principais consultorias de recursos humanos ouvidas pelo
Portal EXAME, a internet se tornou uma das principais fontes de busca
por profissionais e de divulgação de vagas de emprego.
"Ela democratiza o acesso às vagas. Todo recrutador profissional
vai pesquisar na internet e nas redes sociais. É uma forma eficiente
de aumentar o leque de opções", diz Willian Bull,
consultor sênior de capital humano da consultoria de recursos
humanos Mercer.
Em pesquisa recente, o Ibope Nielsen Online constatou que os brasileiros
passam em média 26 horas online por mês - e boa parte desse
tempo usado na busca de um emprego. Os sites enquadrados na categoria
"carreira" tiveram 5,1 milhões de usuários únicos
em dezembro, o equivalente a 20% dos internautas residenciais do país.
Hoje há cerca de 100 sites de carreira, envio de currículos
ou concursos públicos, além de redes sociais especializadas
em emprego.
A internet, no entanto, não substitui tradicionais etapas até
a contratação como entrevistas com headhunters, RH de
empresas e com o empregador direto, a quem cabe a decisão final.
Mas é uma grande vitrine para mostrar suas competências
profissionais. Veja a seguir como usar a internet para encontrar oportunidades
de emprego.
Redes sociais
Se
engana quem pensa que as redes sociais servem apenas para o lazer. O
fato de poder formar uma rede de contatos fez com que o uso de ferramentas
como Orkut e Facebook, por exemplo, se tornassem um meio de buscar emprego
e se mostrar disponível às novas oportunidades. No Orkut,
a rede de relacionamentos mais popular no país, há 996
comunidades com a palavra "emprego". Elas oferecem vagas com
carteira assinada, trabalhos temporários, estágios e programas
de trainee nas mais diversas áreas e regiões do país.
A comunidade "Empregos em São Paulo", por exemplo,
conta com quase 10.000 membros.
Recentemente, o serviço de microblogs Twitter vem ganhando a
atenção dos usuários. Ele é a rede que mais
cresce em todo o mundo. Lançado em 2004, o Twitter registrou
19,1 milhões de usuários em março, segundo a comScore,
empresa de medição de audiência na internet, um
aumento de 194% em relação a fevereiro. É claro
que uma rede tão grande se torna um bom lugar para a divulgação
de vagas. Pensando nisso, o foi inaugurado o serviço Twitter
Jobs, que compila vagas de diversas áreas postadas na rede.
Mas há também perfis criados especificamente para isso.
É o caso de Trampos, criado em maio de 2008, pelo webdesginer
Tiago Yonamine, destinado principalmente à profissionais que
trabalham com internet. Desde então foram postadas 280 vagas
e cerca de 50 pessoas foram contratadas. Entre elas está a designer
industrial Vanessa Marques. A paulistana de 29 anos trabalha como arquiteta
de informação da agência de publicidade Almap BBDO
há oito meses. Ela decidiu procurar uma nova oportunidade quando
soube que a produtora onde trabalhava iria fechar. "Consegui cinco
entrevistas em um mês. Foi a primeira vez que procurei emprego
na internet", conta ela que também ficava de olho nas oportunidades
do portal Click Jobs, especializado em vagas para a internet.
Sem dúvida a rede social que mais se destaca na busca por empregos
e formação de contatos é o LinkedIn. Criado em
2003 pelo empresário americano Reid Hoffman (leia entrevista
aqui), o site conta hoje com 41 milhões de usuários -
500 mil deles só no Brasil, o que faz o país figurar na
lista dos dez maiores em número de cadastrados. Gratuitamente,
profissionais de qualquer área e escolaridade podem se cadastrar
e participar de grupos de empregos. Mesmo com essa democracia, o LinkedIn
se tornou referência para headhunters em busca de profissionais
qualificados. E tem se mostrado eficaz.
É o caso da analista de TI Solange Oliveira, de 40 anos. Há
três anos quando ela criou um perfil no LinkedIn, seu objetivo
inicial era outro. "Queria apenas manter contato com as pessoas
que trabalharam comigo. Não acreditava que poderia conseguir
um emprego", diz ela. A rede de contatos - uma das bases do site
- ajudou Solange. Depois de deixar o cargo de gerente de TI, ela avisou
em seu perfil que buscava novas oportunidades. No mesmo dia, recebeu
o contato do diretor de uma empresa de materiais esportivos para saber
se ela gostaria de participar de um novo projeto. O diretor da empresa
é amigo de um ex-colega de trabalho de Solange, que a recomendou
para a vaga. "Nós marcamos uma conversa pelo Skype e depois
de três semanas fechamos o contrato quando ele veio participar
de um evento em São Paulo", conta ela que hoje ganha o dobro
do salário anterior como diretora de e-commerce. O projeto, ainda
sigiloso, vai construir uma rede de e-commerce para a empresa. Agora,
ela também está contratando novos profissionais para sua
equipe via LinkedIn.
QI
com recompensa
Uma
das formas mais comuns encontradas por consultores de recursos humanos
para encontrar candidatos é a indicação. Pensando
nisso, dois novos sites apostam na figura do indicador para encurtar
o tempo do processo de seleção, baseados no site inglês
Zubka. Em março deste ano, a empresa de RH Allis, uma das maiores
do Brasil, lançou o Indica, um site de hunting online.
O Indica é procurado por empresas para divulgar oportunidades
de emprego. Qualquer um pode indicar profissionais que atendam aos requisitos
das vagas divulgadas no site. A empresa faz então uma triagem
dos melhores candidatos e envia para as empresas. Se alguém da
lista for contratado, o Indica recebe uma comissão de 60% do
salário mensal do novo funcionário. Já a pessoa
que fez a indicação pelo site recebe uma comissão
de 300 a 2.500 reais.
"A ideia é que em dois ou três dias você tenha
uma lista de candidatos para uma vaga, enquanto um processo de seleção
normal, sem o uso de internet, mas através de headhunters, leva
cerca de duas semanas", explica o criador do site Dan Turkieniez.
Segundo ele, o serviço é particularmente interessante
para empregos com salários de 2.000 a 15.000 reais, um nicho
ainda pouco atendido por headhunters e consultorias de RH.
A base atual do site tem 5.000 indicadores e cem empresas cadastradas
– entre elas, a Natura e a Odebrecht. Para evitar indicações
aleatórias de candidatos, apenas visando a recompensa, o número
do CPF é pedido na hora do registro, e um ranking de indicadores
é feito regularmente. "Quem abusar, fica bloqueado no sistema",
diz Dan.
O
Indica foi inaugurado recentemente, mas já possui concorrentes.
O engenheiro Helder Santos e a consultora de recursos humanos Fran Winandy
criaram em novembro de 2008 o Alludere. A ideia do site é focar
também nos indicadores. Neles e nas empresas apenas. A empresa
anuncia suas vagas e o site dispara alertas para sua rede de 1 000 indicadores
que enviam currículos de candidatos à Alludere. Lá
é feita uma triagem dos candidatos e os mais qualificados são
encaminhados para a próxima etapa do processo.
"Como ainda somos um serviço recente, as empresas ainda
mantém paralelamente seus próprios métodos de seleção,
seja por headhunters ou internamente", explica Fran. Caso um candidato
seja contratado pela empresa, o indicador recebe 50% dos honorários
pagos a Alludere. "Nosso preço varia de 8% a 11% do salário
anual. A ideia é ter o valor menor que um headhunter, que cobra
de 15% a 22%", diz Fran.
Há quase dois meses, a publicitária Flávia Favaro
Moreno, de 33 anos, foi contratada como gerente de comunicação
corporativa da Eurofarma num processo que durou apenas dez dias. A indicação
foi da administradora Christine Gautier, da Bebop Consulting, com quem
a Alludere já havia entrado em contato para fazer parte do banco
de indicadores. "Depois da entrevista com a Christine passei por
mais duas etapas: entrevista no RH da empresa e com a diretora da minha
área", conta Flávia.
Cadastre
seu currículo
Uma
das dicas dos profissionais de recursos humanos é para que os
candidatos se cadastrem na página do trabalhe conosco. "É
o primeiro lugar que as empresas olham quando precisam de alguém",
diz Jairo Okret, sócio-diretor da Korn/Ferry, responsável
pela área de TI para busca de profissionais. Para a consultora
Jacqueline Resch, da Resch Recursos Humanos, os candidatos não
apenas cadastrar, mas sempre atualizar seus currículos em sites
de empresas.
Tradicionais e eficazes também são os sites que funcionam
como banco de currículos. Um exemplo é o americano Monster,
um dos maiores do mundo, com 80 milhões de cadastrados.
Criado em 1994, o site só chegou ao Brasil há dois anos.
A versão nacional ainda é pequena, mas vem apresentando
um forte ritmo de crescimento. Em janeiro de 2008 havia 20 000 usuários.
Um ano depois o número saltou para 180 000, com a maioria das
vagas para ensino superior, com foco em nas áreas de vendas,
marketing, finanças, TI, telecom, administrativo e engenharia.
O usuário se cadastra no banco de dados gratuitamente.
Criado em 1996, o Catho é um dos mais populares sites de emprego
do país. O site é indicado principalmente para profissionais
com salários de até 5.000 reais. Hoje, ele conta com uma
base de 1,9 milhão de inscritos – sendo 200 mil ativos,
que concorrem a milhares de vagas em diversas áreas. Em média,
o site diz que ajuda na contratação de 7.000 pessoas por
mês.
O analista contábil Eber do Vale, de 38 anos, conseguiu pela
segunda vez um emprego pelo site Catho. Em dezembro do ano passado,
ele resolveu fazer o teste de uma semana gratuita oferecida pela empresa.
No mês seguinte, o RH de uma consultoria entrou em contato com
ele e, depois de uma bateria de testes, conseguiu a vaga. No entanto,
o emprego não era o que Eber estava esperando. Novamente ele
decidiu utilizar o Catho, dessa vez pelo plano mensal que saiu por 59
reais. Na semana seguinte foi contatado por outra empresa, onde trabalha
desde abril.
Para atender à população com menos escolaridade,
o governo do Estado de São Paulo encontrou na internet uma forma
de organizar as vagas disponíveis. Lançado em novembro
de 2008, o site Emprega São Paulo reúne atualmente 501.000
vagas nas mais diversas áreas. Desde sua criação
as mais oferecidas foram faxineiro, vendedor, operador de telemarketing
entre outras. O resultado é positivo. Até agora 6.000
pessoas foram contratadas.
Portal Exame em 12/06/09
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