"Conhece-te
a ti mesmo" Sócrates"
De
todas as atividades de um líder talvez a mais difícil
seja a de identificar e desenvolver talentos. As pessoas são
diferentes, agem de formas não previsíveis e, muitas vezes,
quase misteriosas.
Não
bastasse isso, as constantes mudanças no ambiente organizacional,
decorrentes das mutações dos mercados, faz com que a procura
por novos talentos ou o melhor aproveitamento daqueles já existentes
na empresa seja um desafio contínuo de seus líderes.
As
empresas criam novos projetos a cada instante, reestruturam seus processos,
mudam seus dirigentes, criam novos negócios e, na hora "H"
se ressentem de pessoas que possam comandar tais negócios e fazê-los
acontecer.
As
empresas mais avançadas na gestão de talentos
humanos têm procurado estabelecer políticas de
captação e retenção de pessoas de forma
contínua e sistematizada, preparando-as para os desafios
que ainda vão surgir e procurando minimizar as crises que surgem
sempre que um gerente não preparado é empossado por falta
de alguém melhor para assumir o posto.
Tais
práticas têm melhorado muito a performance das empresas,
mas ainda assim, algumas perguntas críticas se colocam para os
líderes que precisam levar a cabo tais políticas:
1)
Como identificar quais profissionais são realmente importantes
para a organização?
2) Qual o melhor profissional para uma nova posição, missão
ou projeto existente na empresa?
3) Uma vez definido esse perfil, como identificá-lo na prática?
Essas
questões têm tirado o sono de inúmeros gestores.
Não
pretendo aqui prescrever uma receita para essa empreitada, mesmo porque
não acredito que ela exista, mas estou certo de que algumas dicas
podem minimizar significativamente os erros normalmente cometidos nesse
assunto.
Um
perfil bem definido irá facilitar sobremaneira a busca
do profissional seja na própria empresa, seja no mercado de trabalho.
Parece óbvio, mas percebo na prática a dificuldade que
os líderes têm de fazer isso.
Uma
das tentações que se deve a todo custo evitar é
produzir um perfil que retrate um profissional ideal, com todos os atributos
comportamentais, intelectuais e experiência que este deveria possuir.
Essa é uma atividade, inútil uma vez que tal profissional
não existe no mercado e, ainda que existisse, seria extremamente
caro para a empresa.
Um
bom caminho é listar o que é de fato imprescindível,
o que é importante e o que é apenas desejável para
o candidato em questão. Para isso, o líder deverá
considerar o momento em que a empresa está passando, as competências
já existentes na equipe onde o futuro profissional trabalhará,
o mercado de atuação da empresa e o possível desenvolvimento
futuro da posição que será desempenhada pelo profissional.
Novamente,
aqui existem algumas tentações às quais os líderes
deverão resistir.
Talvez
a maior delas será a de buscar um profissional apenas pela experiência
passada que ele possui ou por sua competência técnica.
Os conhecimentos técnicos são importantes, mas
são apenas uma parte das competências necessárias.
É fundamental levar em consideração os aspectos
comportamentais e os conceituais, mesmo porque estes são
normalmente os mais demorados para serem desenvolvidos.
Em
segundo lugar, deve-se resistir à tentação de procurar
um clone de si próprio. Alguém já disse que "riquezas
são diferenças" e isso é bem verdadeiro.
É importante trazer competências complementares para a
equipe, pessoas com pontos fortes diferentes daqueles que o próprio
líder possui ou que já existe de sobra em sua equipe.
Finalmente,
é preciso pensar no futuro. Contratar alguém apenas
para realizar um trabalho já existente no momento é muito
pouco. É preciso avaliar a "vida útil" desse
candidato, ou seja, até que ponto ele poderá ocupar outras
posições dentro da empresa, ou simplesmente ficará
obsoleto e terá que ser desligado à primeira mudança
de setor ou de projeto. Indivíduos com capacidade de
desenvolver novas competências importantes ao tipo de negócio
da organização terão uma vida útil mais
longa nela.
Quem
se dedica à procurar profissionais no mercado sabe a dificuldade
de encontrar pessoas qualificadas (sempre do ponto de vista técnico,
conceitual e comportamental). Por isso, as empresas que realmente
farão a diferença no mercado serão aquelas que
conseguirem identificar e desenvolver os talentos que precisam para
colocar em práticas suas estratégias e ações.
*
Texto retirado do jornal Valor e escrito por Sebastião de Oliveira
Campos Filho, consultor de empresas.
(O texto apresentado
foi extraído da fonte citada, cabendo a fonte apresentada o crédito
pela mesma).
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